DELAY

O que é?

O delay é um efeito em que o sinal de entrada é gravado para algum meio de armazenamento de áudio e, após um determinado período de tempo, é tocado, gerando um atraso em relação ao sinal de entrada.

DELAY – Diagrama de blocos

Este sinal de áudio atrasado pode ser reproduzido diversas vezes, de forma idêntica e sem perda (digital delay), reproduzido diversas vezes com alguma decomposição do sinal e perda na medida em que se repete (delay analógico), ou reproduzido novamente para o armazenamento, gerando um efeito de eco (echo).

O delay mais simples é conseguido pela soma do sinal original com o sinal atrasado. Delays múltiplos podem ser gerados pela reinserção repetida do sinal atrasado. Multitap delays são gerados a partir de um único e longo delay que é repetido em intervalos diferentes, gerando múltiplas repetições. Já os ping-pong delays são obtidos pelo direcionamento alternado de cada repetição para os canais esquerdo (L) ou direito (R) da saída de áudio (panorama). Os reverse delays são obtidos com o sinal atrasado tocado de trás para frente, ou seja, de forma reversa.

Flanging, phasing, chorus e reverb são efeitos baseados no atraso (delay) do som. No caso do flanging, phasing e do chorus, o tempo de atraso é muito curto e, geralmente, modulado (o phasing é sempre modulado). Já no caso do reverb, aplicam-se múltiplos delays e feedback para que os ecos individuais sejam somados, recriando o som de um espaço acústico (sala, hall, igreja, etc).

A figura abaixo mostra os efeitos gerados para cada tempo de delay:

Tempos de delay

Tempos de delay

::: Principais Parâmetros :::
+ Delay time: controla quanto tempo o buffer vai atrasar o som, ou seja, quanto tempo vai decorrer entre o sinal original e as repetições;
+ Feedback: controla a quantidade de sinal atrasado que vai ser reinjetada na entrada do efeito. Aumentar o feedback significa aumentar o número de repetições e o tempo de decaimento do efeito;
+ Filtro passa-baixa: em ambientes acústicos reais, as frequências mais altas são atenuadas nos sons atrasados, essa atenuação aumenta proporcionalmente ao número de repetições. Para simular essa situação, utiliza-se um filtro passa-baixa a cada repetição do sinal.
+ Tap-tempo: geralmente, são botões que, com apenas alguns cliques em um determinado andamento, programam o tempo do delay

História

Os efeitos de delay originais eram obras-primas analógicas de invenção. Para conseguir um efeito de eco em tempo real, que fosse fácil de replicar e controlar em um ambiente de estúdio, os engenheiros tiveram que descobrir uma maneira de gravar continuamente um sinal e, em seguida, jogá-lo de volta depois de um curto período de tempo já passou, normalmente algumas frações de segundo depois.

Phillips EL 3503 - gravador de fita

Phillips EL 3503 – gravador de fita

Com o desenvolvimento da gravação em fita magnética, no final dos anos 20, começaram a se desenvolver os efeitos de delay. A gravação em fita magnética ocorre da seguinte maneira: fita corre a uma velocidade constante e a cabeça de gravação magnetiza a fita com uma corrente proporcional ao sinal do áudio, resultando num padrão de magnetização que é armazenado ao longo do comprimento da fita. Quando a fita passa por uma cabeça de reprodução/leitura, esse padrão de magnetização é lido e reproduz-se o áudio ali gravado. Essa capacidade de gravar um som e depois reproduzi-lo originou o delay de fita.

As primeiras unidades de delay de fita eram grandes gravadores portáteis que continham uma cabeça de gravação e outra de reprodução. Enquanto o músico (guitarrista) tocava, o sinal original era gravado pela cabeça de gravação e, após alguns milissegundos, reproduzido pela cabeça de reprodução, criando o delay. A duração do delay dependia da distância que a fita tinha que atravessar entre a cabeça de gravação e a de reprodução. Ao se encurtar ou alongar o loop da fita e ajustar os cabeçotes de gravação e leitura, podia-se controlar o atraso e o eco.

Esta técnica foi utilizada em meados dos 50 para criar o slapback, efeito de eco que definiu o som do rockabilly e das primeiras gravações de rock´n´roll. Para se criar o slapback, o delay é ajustado para uma velocidade de repetição de cerca de 150 a 200 ms (milissegundos), sendo apenas uma repetição com quase a mesma amplitude do sinal original. Um bom exemplo de slapback pode ser ouvido na guitarra de Scotty Moore, em That´s All Right, de Elvis Presley, ou na introdução da música Honey Don´t, de Carl Perkins. O grande engenheiro de som da época, Sam Phillips, utilizou tanto este efeito, que o mesmo se tornou uma marca registrada da Sun Records.

Os primeiros processadores de delay, como EchoSonic Butts Ray (1952), Echoplex Mike Battle (1959) ou o Roland Space Echo (1973), usavam a gravação analógica em fita magnética para gerar os atrasos. Pequenos motores elétricos guiavam o loop de fita por meio de um dispositivo com uma variedade de mecanismos gravação e leitura que permitiam a modificação dos parâmetros do efeito. No caso do Echoplex (os populares EP-2), a cabeça de reprodução é fixa, enquanto que uma gravação/erase é montada sobre uma lâmina, assim, o tempo de atraso do eco é ajustado alterando-se a distância entre as cabeças de gravação e de reprodução. No Space Echo, todas as cabeças são fixas, mas a velocidade da fita pode ser ajustada, alterando-se o tempo do atraso (delay). As fita magnéticas usadas nestes equipamentos são finas e não adaptadas para uma operação contínua, de modo que os loops de fita devem ser substituídos de tempos a tempos para manterem a fidelidade do áudio dos sons processados.

Como uma alternativa para a fita magnética, o Echorec Binson surgiu utilizando um tambor magnético rotativo com três cabeças de leitura fixos que podem ser selecionadas em várias combinações para alcançar uma variedade de tempos de delay. A vantagem sobre a fita é que os tambores magnéticos, com manutenção adequada, são capazes de durar por muitos anos com pouca degradação na qualidade do áudio e, às vezes, desenvolver peculiaridades específicas à medida que envelheciam criando o seu timbre próprio e interessantes efeitos Warbling. O Echorec Binson chegou a ser considerado a melhor unidade de echo da sua época, sendo utilizado por inúmeros artistas, dentre eles, David Gilmour, que utilizou o Echorec para criar os sons ambientes e espaciais que definiram o som do Pink Floyd, durante os anos 70.

No entanto, um problema comum em ambos os delays (fita e tambor magnético) é a dependência de peças móveis para criar o efeito. A manutenção dessas unidades e de suas peças é cara e difícil.

Em 1969, F. Sanger e K Teer, da Phillips Research Labs, inventaram o dispositivo Bucket Brigade (BBD), que criava o delay a partir de um circuito de capacitores. O sinal original era dividido ao entrar na unidade de delay, uma parte era encaminhada diretamente para a saída, enquanto a outra parte passava pelo circuito do BBD, criando um pequeno atraso em relação ao áudio direto. Muitos, equivocadamente, se referem à tecnologia BBD como sendo um delay análogo, quando, na verdade, trata-se de um delay híbrido digital/analógico.

Em meados dos anos 70, foram produzidos, por diferentes fabricantes, diversos pedais compactos de delay utilizando a tecnologia BBD. No entanto, estes pedais ficaram notórios pela perda de altas frequências durante delays mais longos, além de terem seus tempos de delay limitados até cerca de 300 ms. Essas limitações fizeram com que o reinado dos pedais de delay com tecnologia BBD fosse de curta duração.

No final dos anos 70 e início dos anos 80, com o barateamento e desenvolvimento da eletrônica, começaram a surgir os delays criados por processamento digital (DSP). Basicamente, um delay digital funciona por meio de um conversor analógico-digital que transforma o áudio de entrada em um código binário de um e zero. Esse código pode então ser processado, alterado, armazenado e recuperado à vontade, de acordo com parâmetros escolhidos, para depois ser convertido novamente em um sinal de áudio por meio de um conversor digital-analógico.

Inicialmente, o delay digital era encontrado em racks caríssimos e em algumas unidade de multiefeitos (pedaleiras). O primeiro delay digital em um pedal foi o Boss DD-2, de 1984.

Com o desenvolvimento da tecnologia digital, a capacidade, velocidade, sofisticação e qualidade de efeitos DSP baseados evoluíram exponencialmente, de modo que agora temos uma palheta virtualmente ilimitada de recursos. Muitos delays digitais modernos apresentam uma ampla gama de opções, incluindo um controle sobre o tempo antes da reprodução do sinal atrasado. A maioria também permite ao utilizador selecionar o nível geral do sinal processado no que diz respeito à não modificado (geralmente chamado effect level ou wet/dry), ou o nível de sinal atrasado que é enviado de volta para a memória, para ser repetido mais uma vez (feedback). Alguns sistemas permitem, hoje, controles bem exóticos, como a capacidade de adicionar um filtro de áudio, ou para reproduzir o conteúdo do buffer em sentido inverso (reverse delay).

No fim dos anos 80, a memória digital tornou-se maior e mais barata. Desta forma, unidades de delay como o Lexicon PCM84, o Roland SDE-3000 e o TC Electronic 2290 passaram a oferecer mais de 3 segundos de delay, o suficiente para criar loops de fundo, ritmos e frases. O TC Eletronic 2290 era atualizável para 32 segundos de delay e o Electro-Harmonix oferecia um atraso de 16 segundos e máquina looping. Passou-se, então, a se desenvolver unidades específicas para criação de loops, como o Loop Paradis, criado em 1992, considerado a primeira unidade de delay com registro de funções como looping, dublagens, multiplicar, inserir, substituir, etc. A Gibson fabricou uma versão ligeiramente melhorada, chamada EchoplexDigital Pro, até 2006.

Atualmente, quase todos os dispositivos de delay utilizados em uma sala de controle moderna baseiam-se em delays digitais. Entretanto, sistemas de delay antigos como o Space Echo e Roland Echoplex ainda são altamente considerados e utilizados por bandas modernas. Ou seja, hoje em dia há espaço tanto para o delay analógico como para o delay digital, dependendo do que se pretende produzir com o efeito.

Pedais famosos

Fontes

♦ HUGHES, Tom. Analog Man´s Guide To Vintage Effects. Ed. For Musicians Only Publishing. 2004
♦ BROOKS, Daniel. The Golden Age of Delay. ProGuitarshop, 26/10/2012. Disponível em <http://proguitarshop.com/andyscorner/the-golden-age-of-delay>. Acessado em 30/10/2013.
♦ WIKIPEDIA. Delay (audio effect). Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Delay_%28audio_effect%29> Acessado em 06/11/2013.
♦ IAZETTA, Fernando. Efeitos. Disponível em <http://www.eca.usp.br/prof/iazzetta/tutor/audio/efeitos/effx.html>. Acessado em 03/11/2013.
♦ DENNIS, Robert. The History of Delay & Reverberation. Advanced Recording Primer, 2001. Disponível em <http://www.recordinginstitute.com/da154/ARP/chap3Sig/0308hist.html>. Acessado em 03/11/2013.
♦ TAYLOR, P. History Of Delay. MusicToys. Disponível em <http://www.musictoyz.com/articles/chopdelay.php>. Acessado em 06/11/2012.

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