DISTORÇÃO, OVERDRIVE & FUZZ

O que é?

A distorção é aquele efeito “sujo” e “quente”, muito característico no rock e em suas variações.

O efeito de distorção ocorre quando há um clipping (corte/achatamento de picos) na forma da onda sonora e um acréscimo de harmônicos, conforme demonstra a figura abaixo.

Forma de onda - Distorção

Forma de onda – Distorção

Os termos “distorção“, “overdrive” e “fuzz” são muitas vezes usados como sinônimos, mas eles têm diferenças sutis de significado.

O “overdrive” é o mais suave dos três, produzindo sons mais “quentes” e mais “limpos”, em volumes mais baixos e, conforme se aumenta o volume, o som vai ficando mais “sujo”.

A “distorção” é o efeito que produz, aproximadamente, a mesma quantidade de distorção (“sujeira”) em qualquer volume, e suas alterações sonoras são muito mais pronunciadas e intensas.

Já o “fuzz” ou “fuzzbox” é o efeito que modifica o sinal do áudio até que fique quase uma onda quadrada, além de adicionar harmônicos complexos por meio de um multiplicador de frequências, resultando em um som altamente distorcido.

A distorção foi originalmente obtida ao se induzir muita eletricidade nas válvulas dos antigos amplificadores valvulados. Atualmente, os efeitos de distorção podem ser produzidos por pedais, pedaleiras, pré-amplificadores, amplificadores de potência, alto-falantes, simuladores digitais de amplificadores e em softwares.

A distorção é extremamente utilizada no rock e em suas vertentes, sendo utilizada também em outros gêneros como o eletric blues e o jazz.

História

Boa parte dos primeiros amplificadores construídos para guitarra elétrica era de baixa fidelidade e frequentemente produzia distorção ao sofrer pequenos danos ou quando o seu volume (gain) era aumentado para além do limite projetado, saturando as válvulas.

A nossa história começa em 1949, com a música Rock Awhile, de Goree Carter, a qual possui um over-driven, estilo de guitarra elétrica semelhante ao que Chuck Berry utilizaria vários anos mais tarde. O mesmo pode ser encontrado na música Boogie in the Park, de Joe Hill Louis, de 1950.

Também foi em 1950 que Willie Johnson, da Howlin´ Wolf, começou deliberadamente a aumentar o ganho além dos limites, buscando produzir um som “quente” e distorcido.

Um dos primeiros registros de distorção no rock data de 1951, na música Rocket 88, de Ike Turner and The Kings of Rhythm, na qual o guitarrista Willie Kizart utilizou um amplificador que tinha sido ligeiramente danificado no transporte. Guitar Slim foi outro que começou a usar harmônicos distorcidos em suas canções, como em seu blues The Things That I Used To Do, de 1953.

Até que, em 1955, Chuck Berry, com seu clássico Maybellene, apresentou um solo de guitarra com harmônicos quentes e distorcidos, criados por seu pequeno amplificador valvulado.

Em meados da década de 50, os guitarristas de rock começaram, intencionalmente, a modificar amplificadores e alto-falantes, a fim de criar uma distorção ainda mais quentes. Em 1956, o guitarrista Paul Burlison, do Burnette Johnny Trio, deslocou deliberadamente as válvulas de seu amplificador para gravar The Train Kept A-Rollin.

O guitarrista Link Wray começou, intencionalmente, a manipular as válvulas de seus amplificadores para criar um som “barulhento” e “sujo” para seus solos. Wray também cutucou com lápis os cones de seus altofalantes, fazendo buracos para distorcer ainda mais o seu tom. O resultado pode ser ouvido em seu influente disco instrumental, de 1958, “Rumble“.

No início de 1960, o guitarrista de surf rock Dick Dale, que produziu sucessos como Let´s Go Trippin (1961) e Misirlou (1962), trabalhou de perto com Leo Fender para empurrar os limites da tecnologia de amplificação elétrica, produzindo o primeiro amplificador de guitarra de 100 watts.

Em 1961, um circuito danificado de pré-amplificador criou um “barulho” no solo de guitarra de Grady Martin, na música country Don´t Worry, de Marty Robbins. O produtor Don Lei teve a sabedoria de entender que embora tenha sido um erro causado por um circuito danificado, o som era incrível, ainda mais em uma música country. Esta gravação é apontada como o primeiro registro de fuzz, ainda que sem querer.

Ao ouvir a gravação de Don´t Worry, a banda americana de rock instrumental The Ventures ficou maravilhada e solicitou a Orville “Red” Rhodes, músico amigo da banda e mago na eletrônica, que criasse algo que reproduzisse aquele som. Foi então que Red Rhodes construiu aquele que pode ser muito bem considerado o primeiro pedal de distorção do mundo, e que foi usado pela The Ventures na gravação da música 2000 Pound Bee.

Maestro Fuzz-Tone FZ-1

Maestro Fuzz-Tone FZ-1

Entretanto, o primeiro pedal de distorção a ser comercializado foi o Gibson Maestro Fuzz-Tone FZ-1, produzido em 1962, pela Gibson, só que as vendas eram muito fracas.

Foi então que, em 1964, Dave Davies, guitarrista do The Kinks, popularizou a distorção com o sucesso do single You Really Got Me. Para obter aquele som distorcido da guitarra, Dave Davies cortou os cones de seus alto-falantes com uma lâmina de barbear.

Em maio de 1965, Keith Richards usou um Gibson Maestro Fuzz-Tone FZ-1 para gravar o mega sucesso dos Rolling Stones, (I Can´t Get No) Satisfaction. O sucesso da música finalmente muito impulsionou as vendas do Fuzz-Tone FZ-1, fazendo com que todo o estoque disponível fosse vendido até o final de 1965.

Aproveitando-se do sucesso do FZ-1, várias outras fuzzboxes aparecerem no mercado como o Fuzzrite Mosrite e o Arbiter Group Fuzzface usado por Jimi Hendrix, o Electro-Harmonix Big Muff Pi usado por Hendrix e Carlos Santana, e o Vox Tone Bender, usado por Paul McCartney em Think For Yourself e em outras gravações dos Beatles.

Jimi Hendrix explorou bastante o uso do Fuzz, tanto o de germânio como o de silício (dois tipos de materiais usados em pedais de fuzz, com texturas e timbres distintos), em Foxy Lady, temos um exemplo de fuzz de germânio, já em Who Knows, temos um fuzz de silício.

No final dos anos 1960 e início de 1970 bandas de hard rock, como Deep Purple (Black Night), Led Zeppelin (Whole Lotta Love) e Black Sabbath (Paranoid) forjaram o que viria a ser o som heavy metal através de um uso combinado de altos volumes e distorção pesada.
Distorções, overdrives e fuzzes sempre utilizados profusamente por grandes nomes do rock. Atualmente, distorções e fuzzes têm sido usados de maneira bem criativa por guitarristas como Dan Auerbach, da banda Black Keys (ouça um belo som de Fuzz na música Thickfreakness), Jack White (White Stripes, The Racconteurs e outros) e Matthew Bellamy, da banda MUSE.

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Pedais Famosos

Fontes

♦ HUGHES, Tom. Analog Man´s Guide To Vintage Effects. Ed. For Musicians Only Publishing. 2004
♦ WIKIPEDIA. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Distortion_%28music%29> Acesso em 09/08/2014.
♦ WEIR, William. 50 Years Of Making Fuzz – The Sound That Defines Rock n´Roll. The Atlantic. 03.03.2011. Disponível em <http://www.theatlantic.com/technology/archive/2011/03/50-years-of-making-fuzz-the-sound-that-defines-rock-n-roll/71959/> Acesso em 09/08/2014.

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