FLANGER

FLANGER

O que é?

O flanger é um efeito é semelhante ao phaser, e foi usado pela primeira vez em uma gravação pelo inovador guitarrista Les Paul, em 1945, e aprimorado, na década de 60. O efeito era alcançado utilizando-se dois gravadores magnéticos contendo o mesmo material sonoro gravado, e diminuindo, ocasionalmente, a rotação de um dos gravadores para gerar uma diferença de fase (phasing) entre os sinais, que poderia ser enfatizado ao se pressionar o “flange” ou a borda de uma das bobinas de fita (daí o nome flanging). Nos sistemas digitais, o flanger é obtido de modo semelhante ao phaser, com atrasos de 1 a 20ms e um modulador que varia o atraso (regular ou randomicamente).

Portanto, o flanger é o efeito gerando quando uma cópia do sinal original sofre pequenos atrasos, geralmente inferiores a 20 ms (milisegundos), e depois é novamente adicionada ao sinal original. Esse processo produz um comb filter‘ (efeito pente), no qual picos e depressões são produzidos no espectro de frequência resultante da soma dos dois sinais (original e alterado), em uma série harmônica linear. A variação no tempo de atraso (delay) do sinal alterado faz com que o comb filter faça uma varredura para cima ou para baixo no espectro de frequências.

FLANGER – Diagrama de blocos


::: Diferença entre flanger e phaser :::

Espectrograma Flanger x Phaser

      Espectrograma Flanger x Phaser

A diferença entre phaser e flanger é que, no flanger, a atenuação e o reforço das frequências ocorrem em intervalos regulares enquanto que, no phaser, isso depende da disposição dos filtros, deixando o processo não linear.

No phaser, o sinal é passado através de um ou mais filtros “passa-tudo”, de modo a criar um mudança de fase não linear, e depois adicionado de volta ao sinal original, gerando uma série de picos e depressões na resposta de frequência do sistema. Em geral, as posições desses picos e depressões não ocorrem na série harmônica.

O flanger, por outro lado, consiste em adicionar um sinal uniformemente atrasado, ao sinal original, o que também resulta numa série de picos e depressões, mas que, neste caso, ocorrem dentro da série harmônica.

Pode-se dizer, analogicamente, que o flanger produz um filtro pente (comb filter) com dentes regularmente espaçados, já o phaser criar um filtro pente (comb filter) com dentes espaçados irregularmente.

Para o ouvido humano, flanger e phaser são efeitos semelhantes, mas com diferentes colorações. O flanger é reconhecido como efeito semelhante ao som de um avião a jato.

::: Parâmetros :::
+ Delay:
Controla o tempo do atraso
+ Feedback: Controla a quantidade de sinal processado que é reinjetada no efeito. Alguns permitem determinar se o feedback é positivo (em fase, acentua harmônicos pares, som mais metálico) ou negativo (fora de fase, acentua harmônicos ímpares, som mais “quente”).
+ Rate : Controla a velocidade com que o modulador varia a o delay. Por exemplo, Rate= 0.1 Hz significa que o efeito fará uma varredura de um ciclo a cada 10 segundos.
+ Depth: Em geral expresso como uma razão, especifica a relação entre o delay mínimo e máximo. Por exemplo, 6:1 pode gerar uma varredura de 1 a 6 ms ou de 3 a 18ms.
+ Outros : tipo de onda moduladora  (onda quadrada, triangular…)

História

O desenvolvimento do efeito “flanging” clássico é geralmente atribuído a Ken Townsend, um engenheiro do Abbey Road Studio, da EMI, durante a primavera de 1966.

Cansado do trabalhoso processo de gravação de dobras dos vocais, John Lennon perguntou a Townsend se haveria alguma maneira de os Beatles obterem o som das dobras dos vocais sem, realmente, fazerem a dobra. Após pensar sobre o problema, Townsend concebeu o Artificial Double Tracking ou “ADT“, que, na prática, poderia criar essa diferença de fase, hoje conhecida como flanger.

Segundo o historiador Mark Lewisohn, foi Lennon quem realmente deu ao processo o nome de “flanger“. A história conta que Lennon, ao pedir para que George Martin lhe explicasse como ADT funcionava, recebeu, de brincadeira, a seguinte explicação absurda: “é muito simples: nós tomamos o som original e o dividimos por meio de um flange sploshing duplo bifurcado com feedback negativo duplo”. A partir daí, sempre que Lennon queria fazer a dobra dos vocais numa canção dos Beatles pedia para que usassem o “flanger Ken“.  Ainda de acordo com Lewisohn, a influência é tão grande que o termo “flanging” ainda está em uso até hoje.   A primeira música dos Beatles a apresentar este flanging foi “Tomorrow Never Knows“, que foi gravada em 6 de abril de 1966, para o álbum Revolver. Aliás, quando Revolver foi concluído e lançado em 5 de agosto de 1966, quase todas as suas músicas tinham sido submetidas ao flanging.

Apesar de haver outros que reclamam para si o primeiro registro do uso do flanging, não há dúvidas de que o desenvolvimento da técnica deu-se, realmente, durante as gravações de Revolver, nos estúdios da Abbey Road, em Londres, em 1966.

Já o primeiro uso do efeito flanger em estéreo é creditado ao produtor Eddie Kramer, que usou o efeito no final da música “Bold As Love”, de Jimi Hendrix, de 1967.

Ampex_Warren_Kendrick

   Gravador estéreo Ampex 15 IPS

Em 1968, o produtor da banda The Litter, Warren Kendrick, desenvolveu um método para controlar o efeito flanger com precisão, utilizando dois gravadores estéreo Ampex 15 IPS, conforme a ilustração ao lado.

Na década de 70, o avanço da eletrônica tornou possível a criação do efeito flanger através do uso da tecnologia de circuitos integrados. Surgiram dispositivos de flanger tanto analógicos como digitais. O efeito flanger na maioria dos atuais efeitos digitais depende da tecnologia DSP.

É importante frisar que o efeito original de flanging de fita soa um pouco diferente do flanger eletrônico e digital, principalmente por conta das características exclusivas das diferentes respostas de frequência de cada fita magnética e de cada cabeçote, que inevitavelmente, geram mudanças de fase peculiares no sinal. Desta forma, os picos e depressões do filtro (comb filter) não formam uma série linear harmônica perfeita, o que  gera uma quantidade significativa de comportamentos não-lineares, que tornam o timbre do flanger de fita soar mais como uma mistura entre flanger e phaser.

Existe, ainda, o Barber Pole flanging, que ocorre quando a varredura do som flangeado parece mover-se apenas em uma direção (para cima ou para baixo) infinitamente, ao invés de mover-se no tradicional vai-e-vem. Este efeito pode ser encontrado em vários hardwares e softwares de efeito. 

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Pedais famosos:

Fontes

♦ HUGHES, Tom. Analog Man´s Guide To Vintage Effects. East Haven,EUA:For Musicians Only Publishing, 2004.
♦ WIKIPEDIA. Flanging. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Flanging>. Acessado em 06/02/2013.
♦ ROMAIN. How To Use Modulation Effects Part 2: The Flanger. Guitar Tone Overload. Disponível em <http://www.guitartoneoverload.com/2010/09/08/how-to-use-modulation-effects-part-2-the-flanger/>. Acessado em 08/02/2013.

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